O número de trabalhadores com 60 anos ou mais no Brasil cresceu 76% entre 2012 e 2025, segundo dados do IBGE. De acordo com Marcio Alaor de Araujo, executivo do mercado financeiro, o dado confirma uma tendência que já transforma a gestão de pessoas: equipes com três ou quatro gerações trabalhando lado a lado estão se tornando regra. Aproveitar a combinação exige rever comunicação, desenvolvimento e planos de carreira.
Uma força de trabalho mais diversa em idade
O movimento é estrutural. Com o envelhecimento da população e o aumento da expectativa de vida, profissionais experientes permanecem mais tempo em atividade, enquanto jovens chegam ao mercado com formação e expectativas diferentes. Projeções baseadas em dados do IBGE indicam que, em 2060, mais da metade da força de trabalho brasileira terá mais de 40 anos.
A convivência entre gerações deixa de ser exceção e passa a fazer parte da rotina de quase todas as empresas. Em uma mesma equipe, é comum encontrar profissionais que iniciaram a carreira antes da internet ao lado de colegas que nunca trabalharam sem smartphone. A diversidade de referências pode ser fonte de conflito ou de vantagem, dependendo da gestão.
Gestão de pessoas sem estereótipos geracionais
Um risco comum é tratar as gerações como blocos homogêneos, com rótulos prontos sobre jovens impacientes ou profissionais experientes resistentes à tecnologia. Generalizações desse tipo ignoram diferenças individuais muito maiores do que as diferenças entre faixas etárias e acabam orientando decisões injustas sobre contratação, promoção e distribuição de oportunidades dentro da empresa.
Sob a ótica de Marcio Alaor de Araujo, a gestão de pessoas mais eficaz parte das necessidades e competências de cada profissional, e não da idade. O preconceito etário, em qualquer direção, empobrece as equipes e afasta talentos. Empresas que avaliam pessoas pelo que entregam e pelo potencial que demonstram aproveitam melhor a diversidade disponível no mercado.
Comunicação em múltiplos formatos
Preferências de comunicação variam bastante dentro de equipes multigeracionais. Alguns profissionais valorizam conversas presenciais e documentos detalhados, enquanto outros preferem mensagens rápidas e ferramentas digitais. Impor um único formato tende a deixar parte da equipe desinformada ou desconfortável, com prejuízo para a colaboração e para a execução do trabalho cotidiano.

Combinar canais e definir acordos claros sobre o uso de cada um reduz ruídos. Decisões importantes podem ser comunicadas em reunião e registradas por escrito, enquanto assuntos operacionais circulam por ferramentas digitais. O objetivo não é agradar a cada geração separadamente, mas garantir que a informação chegue a todos com clareza e no tempo necessário.
Troca de conhecimento entre gerações
Uma das maiores vantagens das equipes multigeracionais é a troca de conhecimento em duas direções. Profissionais experientes contribuem com repertório de crises anteriores, relacionamentos construídos ao longo do tempo e leitura de contexto. Os mais jovens trazem familiaridade com novas tecnologias, formas diferentes de trabalhar e outras perspectivas sobre clientes, especialmente sobre novos públicos e canais digitais.
Como sublinha Marcio Alaor de Araujo, programas de mentoria reversa, em que profissionais mais jovens orientam colegas experientes em temas como ferramentas digitais, complementam a mentoria tradicional. Duplas e grupos de projeto com integrantes de diferentes idades favorecem o aprendizado mútuo e reduzem a perda de conhecimento quando profissionais deixam a empresa.
Planos de carreira para trajetórias diferentes
Modelos tradicionais de carreira, baseados em promoções lineares e cargos cada vez mais altos, nem sempre atendem a todos os perfis. Há profissionais que buscam crescimento rápido, outros que priorizam especialização técnica e outros ainda que desejam mudar de área ou ajustar o ritmo de trabalho em diferentes momentos da trajetória profissional, conforme mudam suas prioridades pessoais.
Conforme aponta Marcio Alaor de Araujo, trajetórias mais flexíveis ajudam a reter talentos de todas as idades. Carreiras em Y, que permitem crescer como especialista sem assumir gestão, movimentações laterais e projetos especiais ampliam as possibilidades de desenvolvimento. Empresas que oferecem caminhos diversos aproveitam melhor a experiência de cada geração em suas equipes.
