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Por que o intestino é chamado de “órgão metabólico” pela ciência? Lucas Peralles explica o que as pesquisas descobriram

Diego Velázquez
Diego Velázquez Publicado julho 14, 2026
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Lucas Peralles
Lucas Peralles
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Durante muito tempo, o intestino foi visto apenas como o órgão responsável por concluir a digestão dos alimentos e absorver nutrientes. Hoje, essa visão mudou profundamente. Os avanços da biologia molecular, da imunologia e da nutrição revelaram que ele participa de processos muito mais amplos, influenciando o metabolismo, a resposta imunológica, a produção de hormônios e até a comunicação com o cérebro. Para Lucas Peralles, nutricionista esportivo e especialista em comportamento alimentar, compreender essa transformação é essencial para entender por que a saúde não depende apenas do que colocamos no prato, mas também da forma como o organismo utiliza esses nutrientes.

Contents
O que faz do intestino um órgão tão importante para o metabolismo?Como a microbiota influencia o funcionamento do organismo?O intestino realmente conversa com o cérebro?O futuro da nutrição passa pelo estudo da microbiota?Cuidar do intestino é cuidar de muito mais do que a digestão

Grande parte dessa mudança de paradigma ocorreu com o avanço dos estudos sobre a microbiota intestinal, conjunto formado por trilhões de microrganismos que habitam naturalmente o trato digestório. Longe de serem apenas bactérias convivendo com o organismo, esses microrganismos estabelecem uma relação de cooperação com o corpo humano. Eles participam da digestão, produzem substâncias biologicamente ativas, influenciam o funcionamento do sistema imunológico e enviam sinais capazes de modificar o metabolismo. Por isso, muitos pesquisadores passaram a considerar o intestino um verdadeiro órgão metabólico, capaz de exercer influência sobre praticamente todo o organismo.

Quer saber mais? Confira a seguir!

O que faz do intestino um órgão tão importante para o metabolismo?

O intestino representa uma das maiores superfícies de contato entre o organismo e o ambiente externo. Todos os dias, ele entra em contato com alimentos, nutrientes, bactérias, vírus, medicamentos e diversas outras substâncias. Para administrar esse fluxo constante, desenvolveu um sistema altamente especializado que combina digestão, absorção, proteção imunológica e comunicação hormonal. Nenhum desses processos acontece de forma isolada. Cada refeição desencadeia uma sequência de respostas que envolve intestino, fígado, pâncreas, tecido adiposo, músculos e cérebro.

Além da absorção de vitaminas, minerais, proteínas, carboidratos e gorduras, o intestino funciona como uma importante plataforma de sinalização metabólica. Células distribuídas ao longo de sua parede liberam hormônios como GLP-1, PYY e colecistocinina (CCK), substâncias que regulam fome, saciedade, velocidade do esvaziamento gástrico e resposta da insulina. Conforme explica Lucas Peralles, isso significa que o intestino não apenas recebe os alimentos, mas participa ativamente da decisão sobre como o organismo utilizará a energia disponível.

Como a microbiota influencia o funcionamento do organismo?

Estima-se que o intestino humano abrigue trilhões de microrganismos pertencentes a centenas de espécies diferentes. Esse ecossistema participa da digestão de componentes que o organismo sozinho não conseguiria aproveitar, especialmente fibras alimentares. Durante esse processo, ocorre a produção de compostos chamados ácidos graxos de cadeia curta, como acetato, propionato e butirato, moléculas que exercem funções importantes na manutenção da saúde intestinal, na regulação da inflamação e no metabolismo energético.

As pesquisas também demonstram que a microbiota participa da síntese de vitaminas, fortalece a barreira intestinal e ajuda a impedir o crescimento de microrganismos potencialmente prejudiciais. Ao mesmo tempo, sua composição sofre influência contínua da alimentação, do sono, da prática de atividade física, do estresse e do uso de medicamentos, especialmente antibióticos. Na avaliação de Lucas Peralles, essa capacidade de adaptação explica por que pequenas mudanças nos hábitos diários podem modificar progressivamente o ambiente intestinal e, consequentemente, influenciar o metabolismo.

O intestino realmente conversa com o cérebro?

Uma das descobertas mais fascinantes da ciência moderna é a existência do chamado eixo intestino-cérebro, um sistema de comunicação bidirecional que conecta esses dois órgãos por meio de nervos, hormônios, sistema imunológico e metabólitos produzidos pela microbiota. O principal elo dessa conexão é o nervo vago, responsável por transportar informações continuamente entre o trato digestório e o sistema nervoso central.

Lucas Peralles
Lucas Peralles

Essa comunicação influencia muito mais do que a digestão. Sensações de fome, saciedade, conforto após uma refeição e até parte das respostas relacionadas ao humor passam por esse diálogo permanente entre cérebro e intestino. Estudos também investigam como alterações na microbiota podem interferir na produção de neurotransmissores e em mecanismos ligados ao comportamento alimentar. Conforme destaca Lucas Peralles, embora muitas dessas pesquisas ainda estejam em desenvolvimento, elas reforçam que o intestino deixou de ser visto apenas como um órgão digestivo e passou a ocupar posição estratégica na regulação de diversas funções do organismo.

O futuro da nutrição passa pelo estudo da microbiota?

A ciência caminha rapidamente para compreender por que duas pessoas podem apresentar respostas completamente diferentes ao consumir os mesmos alimentos. Uma das hipóteses mais promissoras envolve justamente as diferenças existentes na microbiota intestinal. Pesquisas indicam que sua composição pode influenciar a resposta glicêmica, o aproveitamento de nutrientes, a produção de metabólitos e até a eficiência com que determinados alimentos são utilizados pelo organismo.

Esse conhecimento impulsiona o desenvolvimento da chamada nutrição personalizada, abordagem que busca considerar características biológicas individuais em vez de recomendar estratégias universais para toda a população. Sob essa perspectiva, a microbiota representa apenas uma das peças desse quebra-cabeça, mas uma peça cada vez mais relevante. Tal como considera Lucas Peralles, compreender o funcionamento do intestino significa reconhecer que saúde metabólica resulta da interação entre alimentação, sono, atividade física, comportamento e um complexo ecossistema de microrganismos que trabalha silenciosamente todos os dias para manter o equilíbrio do organismo.

Cuidar do intestino é cuidar de muito mais do que a digestão

Os avanços da ciência transformaram completamente a forma de enxergar o intestino. O que antes era considerado apenas um órgão responsável pela digestão passou a ser reconhecido como um importante centro de regulação metabólica, hormonal e imunológica. Sua interação com a microbiota influencia processos relacionados à absorção de nutrientes, ao controle da glicemia, à inflamação, à produção de hormônios da saciedade e à comunicação constante com o cérebro.

Essa nova compreensão não significa que exista um alimento capaz de “corrigir” a microbiota ou uma solução única para melhorar a saúde intestinal. Pelo contrário, as evidências apontam que o equilíbrio desse sistema depende da combinação entre alimentação variada, consumo adequado de fibras, prática regular de atividade física, sono de qualidade e manejo do estresse. Como ressalta Lucas Peralles, olhar para o intestino apenas como um tubo digestivo já não faz sentido diante do conhecimento científico atual. Por fim, entender seu papel como órgão metabólico é compreender que grande parte da saúde começa em processos invisíveis, mas fundamentais para o funcionamento de todo o organismo.

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