Iniciativa do MDIC e da ABDI oferece consultoria especializada a empresas de pequeno e médio porte em oito estados do país.
Quem trabalha em uma construtora pequena ou em um escritório de arquitetura muitas vezes vê a tecnologia BIM como algo distante, restrito às grandes incorporadoras com orçamento robusto para investir em software e capacitação. Um novo programa do governo federal busca mudar exatamente essa realidade. A dúvida natural de quem atua no setor é: como uma empresa pequena consegue acesso a essa consultoria, e o que muda na prática ao adotar o BIM no dia a dia da obra? Este texto explica o funcionamento do programa recém-lançado, apresenta dados sobre o uso de inteligência artificial na construção civil brasileira e mostra o que especialistas do setor esperam para os próximos anos.
O que é o programa BIM na Prática e quem pode se inscrever
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial lançaram o programa BIM na Prática, iniciativa que oferece consultoria especializada e gratuita para apoiar a implantação da metodologia Building Information Modeling em pequenas e médias empresas da construção. Com investimento de R$ 1,9 milhão, o projeto piloto prevê atender até 60 empresas de oito estados das cinco regiões do país até 2027, com os primeiros atendimentos previstos para começar ainda em julho. CBICCBIC
A iniciativa será executada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial e contemplará empresas localizadas em Rondônia, Bahia, Ceará, Pernambuco, Distrito Federal, Paraná, Santa Catarina e São Paulo. Podem se inscrever empresas de pequeno e médio porte da construção civil, além de escritórios de arquitetura e engenharia sediados nesses estados que atendam aos requisitos previstos pela iniciativa, com inscrições realizadas pela plataforma oficial do programa. O objetivo declarado é ampliar a adoção do BIM por meio de consultoria personalizada, contribuindo para o aumento da produtividade, a redução de retrabalho e o aprimoramento da gestão de obras, pontos que historicamente pesam mais sobre empresas menores, com menos recursos para testar novas ferramentas por conta própria. CBICCBIC
Por que a inteligência artificial pode acelerar essa adoção
O lançamento do programa acontece em um momento em que o debate sobre inteligência artificial na construção civil ganhou força em eventos do setor. Durante o Encontro Internacional da Indústria da Construção 2026, promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção em São Paulo, a arquiteta coordenadora da RETC Infraestrutura defendeu que a combinação entre BIM e IA pode acelerar a difusão e a implementação da modelagem digital no setor. Segundo ela, o desenvolvimento da inteligência artificial pode baratear o acesso ao BIM e forçar as empresas de software a incorporarem a tecnologia com mais rapidez, o que tende a reduzir uma das maiores barreiras hoje enfrentadas por empresas menores: o custo de licenças e de capacitação de equipes. CBICCBIC
Levantamentos recentes do setor reforçam esse diagnóstico. Um relatório do Sienge em parceria com a GRUA mostrou que 71,1% dos profissionais da construção já utilizam inteligência artificial por iniciativa própria, mas apenas 28,9% das empresas adotam a tecnologia de forma institucional, e o engajamento da liderança aumenta em até seis vezes a tendência de investimento em IA. Em painel realizado em Porto Alegre pela CBIC em parceria com a Fiergs, um diretor de negócios do Sienge destacou o potencial da tecnologia para aumentar a produtividade e reduzir o tempo gasto em orçamentos e análises de dados, mas alertou que a inteligência artificial não substitui o julgamento humano, especialmente em decisões estratégicas e na validação de informações. SiengeRevistaoe
O que muda na prática para quem adota o BIM no canteiro
Para empresas que ainda trabalham majoritariamente com projetos em papel ou arquivos 2D, a adoção do BIM representa uma mudança estrutural na forma de planejar e executar uma obra. Sistemas de inteligência artificial generativa já conseguem interpretar plantas e modelos BIM para sugerir alterações de layout, estimar custos e até gerar listas de materiais otimizadas, integrando informações de IoT, drones, câmeras 360° e sensores de consumo para criar uma visão completa da obra, o que resulta em mais precisão no planejamento e decisões mais rápidas para o time de engenharia. Sienge
No Brasil, a Lei 14.133/2021 já reforçou essa tendência ao priorizar o uso do BIM em licitações públicas, o que amplia a pressão para que também empresas menores, muitas vezes fornecedoras ou subcontratadas em obras públicas, se adaptem à metodologia. Segundo levantamento do próprio setor, dados, automação e integração digital deixam de ser diferenciais e passam a compor a infraestrutura mínima de operação da construção civil em 2026, com BIM, plataformas integradas de gestão, sensores e sistemas de planejamento evoluindo para uma lógica de orquestração entre obra, suprimentos, crédito e engenharia. Para uma empresa pequena, participar de um programa de consultoria gratuita como o BIM na Prática pode representar justamente o empurrão necessário para não ficar para trás nessa transição. PeriodicoreaseSienge
O lançamento do BIM na Prática confirma um movimento que já vinha se desenhando no setor: a modelagem digital deixou de ser exclusividade das grandes incorporadoras e começa a chegar, com apoio institucional, às empresas de menor porte. Combinada ao avanço da inteligência artificial, essa democratização tende a reduzir custos de implantação e acelerar ganhos de produtividade que o setor da construção historicamente deixou de capturar. Para empresas nos oito estados contemplados, vale acompanhar a abertura oficial das inscrições e avaliar se os requisitos do programa se encaixam no perfil do negócio.
