Grandes transformações sociais raramente nascem de planos grandiosos. Com muito mais frequência, elas emergem de gestos simples, feitos por pessoas que decidiram agir diante de uma necessidade concreta, sem esperar pelas condições perfeitas ou pelo momento ideal. A história da Fundação Gentil Afonso Duraes, idealizada por Eloizo Gomes Afonso Duraes, segue exatamente essa lógica: começou com aulas de informática para crianças de um bairro da zona oeste paulistana e se transformou, ao longo de vinte anos, numa referência nacional em trabalho filantrópico integrado.
A decisão de começar
Em setembro de 2003, Eloizio Gomes Afonso Duraes simplesmente começou. Não havia um plano estratégico de dez anos, não havia uma equipe de especialistas em desenvolvimento social, não havia uma campanha de comunicação. Havia crianças que precisavam aprender e um empresário que decidiu fazer algo a respeito com o que tinha disponível. Essa disposição de agir antes de ter tudo perfeitamente estruturado é uma das características que distinguem lideranças transformadoras de pessoas que esperam indefinidamente pelas condições ideais.
O que Eloizo Gomes Afonso Duraes tinha em 2003 era uma empresa no Jaguaré, a percepção clara de uma necessidade na vizinhança e a convicção de que poderia contribuir para endereçá-la. Isso foi suficiente para começar. E começar, como a história demonstrou, foi o passo mais importante.
A construção responsável
O crescimento da Fundação foi incremental e deliberadamente responsável. Cada nova frente de atuação, o reforço escolar em fevereiro de 2004, as atividades culturais em março, o Projeto Sopão em maio, as cestas básicas em agosto, foi adicionada quando havia capacidade real de sustentá-la com qualidade. Não houve expansão por expansão, nem crescimento motivado pelo desejo de visibilidade ou de escala pela escala.

Essa cautela na construção é o que diferencia organizações que prosperam e se tornam referências daquelas que crescem rapidamente, perdem qualidade e acabam desaparecendo. Eloizio Gomes Afonso Duraes tratou a Fundação com a mesma seriedade estratégica com que trata seus empreendimentos comerciais: com planejamento, avaliação constante de resultados e disposição para ajustar o curso quando necessário.
A expansão que confirmou o modelo
Quando a Fundação chegou ao Maranhão em 2005, à Paraíba em 2007 e a Pernambuco em 2010, não estava exportando um produto acabado e imutável. Estava levando uma metodologia testada, um comprometimento genuíno com as comunidades atendidas e a disposição de aprender com cada novo contexto. Essa postura humilde e adaptável é o que garantiu que a expansão produzisse resultados reais e não apenas presença formal em novos territórios.
Para Eloizo Gomes Afonso Duraes, expandir a Fundação para o Nordeste foi também um gesto político no sentido mais amplo do termo: um reconhecimento de que as desigualdades regionais do Brasil são reais e de que a responsabilidade social não pode ser geograficamente limitada quando há necessidade além das fronteiras do estado onde se nasceu ou se construiu um negócio.
O que vinte anos ensinaram
Duas décadas de atuação social ensinaram a Eloizio Gomes Afonso Duraes algo que nenhum manual de filantropia consegue transmitir adequadamente: que a transformação social é um processo lento, não linear e profundamente humano. Exige paciência para esperar que os resultados apareçam, humildade para reconhecer quando algo não está funcionando, e uma convicção suficientemente robusta para não desistir quando os desafios são maiores do que o esperado. Eloizo Gomes Afonso Duraes demonstrou todas essas qualidades ao longo de sua trajetória, e é por isso que o que ele construiu em vinte anos tem a solidez e a relevância que tem.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
